Ontem eu assisti a uma palestra do Jum Nakao cujo tema era mottainai - design contra o desperdício. Mas não só de desperdício de materiais; mas desperdício de tudo, inclusive das coisas imateriais.
Dentre muitas coisas, ele disse algo que me deixou pensando. E eu gosto disso. Gosto de pessoas que instigam que fazem a gente refletir, que incomodam, que nos deixam desconfortável porque assim a gente começa a pensar, a fazer uma série de perguntas e a procurar as respostas.
Enfim, ele estava contando sobre um veleiro que ele fez. Ele disse que foi em um lago que era pequeno para quem estava de lancha e infinito para quem estava velejando. De acordo com ele, quando você veleja, vai num zig zag, dançando com o vento e não em linha reta. Você curte o caminho interagindo com o meio no qual você está inserido. Quando você está de lancha, vai sai de um ponto de partida e chega a um ponto de chegada. Simples assim, em linha reta.
Então disso tudo, ele disse que a diferença era o caminho e a forma com que você resolve fazer as coisas. E esse ensinamento eu acho que pode ser aplicado em tudo, afinal, toda experiência traz conhecimento e aprendizado.
Ele também questionou em como a gente acaba fazendo coisas automaticamente/mecanicamente no dia-a-dia; como quando a gente vai trabalhar ou faz coisas que consideramos rotina. Nessas situações, o mais importante é o ponto de chegada e não o caminho. E na ânsia de chegar ao objetivo, a gente não observa o que está ao nosso redor, a gente não percebe aquilo que está visível porque estamos cegos com o nosso objetivo.
E a proposta do conceito do mottainai, na concepção dele, é justamente aproveitar e compartilhar aquilo que nós desperdiçamos. E a gente desperdiça muita coisa. Desde coisas simples, como materiais, até coisas complexas como tempo, pessoas e emoções. Então, vale mais a pena pensar no caminho, em como podemos fazer aquilo de forma diferente, desperdiçando menos – mesmo que leve o triplo do tempo ou custe mais – do que chegar no ponto de chegada, porque o resultado e o aprendizado é muito maior.
É claro que isso é mais uma filosofia de vida que muitas pessoas podem discordar por terem outros valores, outras crenças ou outra visão de mundo. Mas eu estou tão encantada com isso tudo – e cheia de idéias e vontades – que eu quero tentar já que se encaixa tão bem na minha vida, nos meus valores e nas minhas crenças.
O Jum Nakao disse também que a gente só enxerga o visível quando ele se torna invisível. E como eu ainda estou pensando nisso, o assunto fica para um próximo post
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