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sobre a felicidade

Outubro 20, 2008 · Deixe um comentário

Quando eu era pequena, meu pai sempre dizia: “você é feliz e não sabe” . Nunca entendia o significado da frase e deixava de lado. Agora eu compreendo o que ele queria dizer. A gente cresce, perde parte da nossa inocência infantil, ganha responsabilidades, precisa decidir se vai por ali ou pelo outro lado, herda expectativas,  exigi mais coisas de si mesmo, conhece mais, mas também teme mais um monte de coisas que desconhecia que iria afetá-lo de alguma forma. Aí, as vezes, a gente acredita que era mais feliz em outra época.

Não acho que era mais feliz quando era criança. Tinha os meus medos e receios e acreditem, era praticamente muda, por opção, é claro.  Não me sentia a vontade tagarelando com desconhecidos. E até hoje faço um esforço para me permitir que os outros me conheçam, que descubram a Fernanda. Concordo que algumas vezes eu dificulto as coisas e posso perder a oportunidade de conhecer a outra pessoa. Mas é algo para eu trabalhar e melhorar. (Dizem que, ao reconhecer os nossos próprios pontos fracos/defeitos, você já consegue ser um pouquinho melhor, porque já sabe no que deve trabalhar.  )

Não acredito que haja um tempo que éramos mais felizes. Felicidade existe em todas as fases de nossas vidas e, acredito eu, todos os dias ela aparece uma maneira diferente. Pode ser naquele e-mail inesperado, naquele olhar de admiração, naquela pergunta sem noção, nas histórias imaginadas e compartilhadas, nos projetos, naqueles momentos família/nostalgia,  pode ser em tantas pequenas coisas… e ela não pode ser estocada, não é mesmo? Felicidade é efêmera. O que sobra é a lembrança de um momento feliz.

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